Manifesto SanghaPunk

Manifesto SanghaPunk

A SanghaPunk nasce do encontro entre duas certezas:

  1. Que o despertar da consciência é indissociável da consciência de classe
  2. Que ninguém se liberta sozinho, nem espiritualmente, nem politicamente.

1. A raiz do sofrimento social é o capitalismo.

Exploração do humano pelo humano, concentração de riqueza, desigualdade estrutural, controle de corpos, marginalização, descoletivização dos recursos comuns. Portanto, combater a raiz do sofrimento em nosso tempo é, por consequência, combater o capitalismo.

2. A SanghaPunk é uma sangha comprometida com a luta de classes.

Não se trata de uma etiqueta, mas de uma posição ética: o Dharma não pode ser usado como anestésico social. Compaixão a-política não é karuna, é performance.

3. Nos inspiramos nas tradições revolucionárias, mas não nos engessamos em siglas.

O budismo revolucionário que queremos construir dialoga com nomes como Angela Davis, Malcolm X, Tupac Shakur, mas também com as monjas e leigos que, ao longo da história, recusaram o uso da espiritualidade como ferramenta de opressão.

4. Acolher é também uma forma de luta.

A SanghaPunk não é um espaço para quem quer “apenas meditar”. Mas também não é um espaço onde a pressão por ação anula o cuidado. Reconhecemos que cada pessoa chega com sua história, suas dores, seus limites. Por isso, organizamos o projeto em frentes:

*Quem está na linha de frente do enfrentamento político; *Quem cuida do acolhimento psicológico e da rede de apoio; *Quem constrói a infraestrutura tecnológica segura; *Quem dedica seu tempo à formação e à educação revolucionária; *Quem, por enquanto, só precisa de um lugar para respirar.

Todas essas frentes são igualmente necessárias. Todas são ação.

5. Transparência, segurança e horizontalidade.

*Não temos um líder, temos um conselho horizontal em que cada um ocupa sua função, ao mesmo tempo, que somos todos um. *Não aceitamos dinheiro que não passe por prestação de contas clara. *Não usamos a vulnerabilidade alheia como plataforma. Cuidamos de quem cuida.

6. Nosso objetivo não é crescer enquanto grupo, mas enquanto ideia.

*Queremos que o Budismo Revolucionário brote em cada esquina, em cada comunidade, independentemente de carregar ou não o nome SanghaPunk. *Queremos que o budismo brasileiro seja plural, diverso, um espelho da classe trabalhadora.

7. Seja punk. Seja marginal. Seja herói.

Monges Shaolin sabem a hora de meditar, mas também a hora de atacar. A compaixão que não se volta contra o opressor é compaixão reversa: alimenta o sofrimento que diz combater.

8. Por fim, um convite:

Coletivize-se. Organize-se. E lembre-se: assistir à opressão de olhos fechados e braços cruzados é contribuir com ela. A prática do Dharma é indissociável da prática da libertação — aqui e agora.